A Cegonha - branca (Ciconia ciconia) nidifica em quase toda a Europa, no Médio Oriente, Centro - Oeste Asiático, Nordeste de África e África Austral.

A Cegonha - branca (Ciconia ciconia) nidifica em quase toda a Europa, no Médio Oriente, Centro - Oeste Asiático, Nordeste de África e África Austral.
O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal atribuiu o estatuto de conservação “Pouco Preocupante” à população portuguesa nidificante de Cegonha - branca.Na Europa, esta espécie tem a Categoria SPEC 2 («Species of European Conservation Concern»), dado que as populações europeias apresentam um estatuto de conservação desfavorável e a população mundial encontra-se concentrada na Europa.
Em Portugal, a Cegonha - branca é uma das duas espécies nidificantes do Género Ciconia. Mais comum do que a sua congénere Cegonha-preta (Ciconia nigra), a Cegonha-branca é uma ave com uma presença fortemente enraizada na nossa cultura, sendo um elemento característico da paisagem em muitas regiões do País e uma espécie normalmente admirada e respeitada pela grande maioria da população. Mais comum no Sul do país do que no Norte e Centro, a Cegonha - branca é presença constante nas searas e pousios alentejanos e nos arrozais que subsistem em Portugal, tendo-se assistido nos últimos anos a um aumento acentuado do número de efectivos que ocorrem no nosso país, ao longo de todo o ano.
Esta recuperação deve-se provavelmente ao efeito conjugado de diversos de factores. Por um lado, o fim de um período de seca de várias décadas nas suas áreas de invernada africanas e à proliferação de uma espécie exótica invasora, o Lagostim -vermelho da Louisiana , que na Península Ibérica, passou a constituir a base da sua dieta em várias regiões. Este crustáceo, permitiu que muitas centenas de cegonhas - brancas passassem a residir em Portugal, evitando a mortalidade associada à migração e invernada na África sub - sariana. Por outro lado, aos esforços de conservação dirigidos à espécie nas duas últimas décadas, designadamente a sua estrita protecção, à sensibilidade ambiental do público em geral relativamente a esta espécie e ao esforço coordenado do ICNB, dos agentes sociais e económicos (com destaque para as companhias de distribuição e transporte de electricidade, EDP e REN) e das organizações não-governamentais de ambiente.
Devido, em grande medida, à popularidade de que esta espécie goza em grande parte da sua distribuição mundial, a Cegonha - branca foi uma das primeiras espécies da avifauna alvo de recenseamentos coordenados internacionalmente.
MonitorizaçãoO primeiro recenseamento mundial de Cegonha - branca ocorreu em 1934. Como consequência da II Grande Guerra Mundial que assolou a Europa, só um quarto de século mais tarde, em 1958 foi realizado o segundo recenseamento mundial. A partir de 1974, ano em que decorreu o terceiro censo mundial, estes registos passaram então a realizar-se regularmente, de dez em dez anos.A Cegonha - branca foi a primeira espécie alvo de um recenseamento da população nidificante a cobrir a maioria do território português. Esse levantamento foi realizado no final da década de 50 por Santos Júnior (1961) e teve como base a realização de inquéritos. As enormes dificuldades que se deverão ter apresentado, uma baixa disponibilidade de recursos humanos, financeiros e de veículos, uma rede viária pouco desenvolvida aliada a um menor conhecimento sobre a importância relativa de cada região e habitat, foram certamente as principais causas para uma cobertura deficiente do terreno. O número de ninhos recenseados foi então de 3.490, certamente muito inferior aos que na realidade existiam (Santos Jr. 1961).
Entre 1974 e 1977 foi organizado um novo recenseamento nacional que teve como base inquéritos (Borges de Carvalho 1977) com confirmação in locco. Foram então contabilizados 1.930 ninhos neste levantamento, organizado pela primeira vez pelo Centro de Estudos de Migrações e Protecção de Aves (CEMPA), entidade então integrada nos Serviço de Estudos do Ambiente (e posteriormente no Serviço de Parques, Reservas e Património Paisagístico, no Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza e no Instituto da Conservação da Natureza). Finalmente em 1984, realizou-se o primeiro censo nacional amplo e abrangente, tendo sido então obtido um nível de cobertura muito razoável, já que foi prospectado todo o território nacional onde existiam registos de ninhos e/ou habitat disponível para Cegonha - branca. Foram recenseados 1.533 ninhos ocupados (Candeias & Araújo 1989). A partir de então o método de recenseamento manteve-se, mas o nível de cobertura foi melhorando, dada a maior disponibilidade de meios e a quantidade e capacidade de ornitólogos e colaboradores envolvidos.Em 1994, o número de ninhos ocupados recenseados foi de 3.302, verificando-se uma inversão da tendência de regressão populacional que vinha ocorrendo, tendo sido a população mundial de então estimada em 166.000 casais nidificantes (Schulz 1999).Em 2004, no seguimento daqueles levantamentos e inserido no VI Censo Mundial de Cegonha - branca (2004/2005), o ICN/CEMPA e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) promoveram e coordenaram o "V Censo Nacional da População Nidificante de Cegonha - branca", cujo relatório pode ser consultado nesta página.

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