Pereira, pequena aldeia de casas dispersas com cerca de uma centena de habitantes, precisamente a 1,5 quilómetros da porta principal novo Autódromo

A roda-viva está instalada no café do Gonçalves, em Pereira, pequena aldeia de casas dispersas com cerca de uma centena de habitantes, precisamente a 1,5 quilómetros da porta principal do novo Autódromo do Algarve que, com os seus 310 hectares, é maior até que algumas cidades algarvias.
Entram homens com coletes amarelos e capacete, assim como "motoqueiros" vestidos a rigor. Em algumas mesas fala-se italiano ou francês e as "minis" fresquinhas dominam boa parte dos pedidos, embora as bifanas, sandes de presunto e café com "cheirinho" também dessem trabalho. "Puff, tem sido uma trabalheira", exclamou o dono, ao fazer a conta à equipa de reportagem do JN, única altura em que foi possível trocar impressões. "As vendas de sandes, cervejas e cafés dispararam em flecha", enquadrou.
Um dia antes, fora da hora de almoço, a disponibilidade para falar foi bastante maior. Por exemplo, a D. Isabel, de 72 anos, à volta com o neto que queria brincar na estrada onde o tráfego também aumentou exponencialmente, considera que o autódromo "pode dar mais vida, trabalho e dinheiro a Pereira".
Mas erguer uma estrutura destas ao lado da aldeia teve custos, admitiu: "Os camiões desgraçaram as estradas, vão ter de fazer uma estrada nova". A causa está no vaivém frenético de centenas de camiões diários na estrada que liga Pereira à Mexilhoeira Grande. Mas Paulo Pinheiro, director do circuito, já afiançou ao JN que a estrada vai levar novo asfalto dentro de dias.
Fernando, rapaz na casa dos 30 anos, tem sentimentos mistos quanto ao autódromo. Lembrou que "no Estoril, quando foi construído o circuito, também não havia nada à volta, mas também recordou que "há dois anos dormia-se aqui de porta aberta e agora nem pensar, pois atrás do dinheiro vem muita coisa, nem toda ela boa". E Fernando, que faz jardinagem profissional, até já angariou dois novos clientes, que compraram casa nas imediações, por causa do autódromo.
A seu lado, Hélder, reivindica uma compensação "pelo barulho". Hélder quer que o Plano Director Municipal (PDM) permita construção de habitações em Pereira. "Assim, o meu terreno, que agora vale 25 mil euros, passaria a valer 150 mil", resumiu. Porém, a autarquia de Portimão já confirmou ao JN, que não vão ser autorizadas novas construções.